Você sabe o que é o lipedema?
- Nutri Me

- 13 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
O lipedema é uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Muitas vezes confundido com obesidade ou linfedema, o lipedema tem causas distintas e requer abordagens específicas para seu manejo. Neste artigo, vamos explorar o que a ciência diz sobre o lipedema, seu impacto na saúde e como a nutrição pode ser uma aliada no controle da doença.

O que é o Lipedema?
O lipedema afeta predominantemente mulheres e está relacionado a fatores hormonais e genéticos. A condição se manifesta com o acúmulo simétrico de gordura nas pernas, acompanhada de dor, sensibilidade ao toque e tendência a hematomas fáceis. Estudos indicam que a inflamação crônica de baixo grau e a disfunção do tecido adiposo desempenham um papel central no desenvolvimento da doença (Földi et al., 2010).
Diferente da obesidade, o lipedema não está diretamente ligado à ingestão calórica e pode persistir mesmo com perda de peso significativa. Além disso, o sistema linfático pode ser afetado com a progressão da doença, levando a um quadro de lipolinfedema (Herbst, 2012).
Diagnóstico e Sintomas
O diagnóstico do lipedema é clínico e baseado em critérios como:
Acúmulo de gordura desproporcional na parte inferior do corpo;
Sensibilidade e dor ao toque;
Tendência a hematomas sem causa aparente;
Preservação dos pés, criando uma aparência de "manga" na transição entre tornozelo e perna;
Pouca resposta a dietas restritivas tradicionais (Wold et al., 1951).
A relação entre Lipedema e inflamação
Pesquisas recentes sugerem que o lipedema está associado a um estado inflamatório crônico de baixo grau, marcado pelo aumento de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α e IL-6 (Peled et al., 2019). Essa inflamação pode contribuir para a dor e a progressão da doença, tornando a abordagem nutricional fundamental para reduzir esses marcadores.
Como a nutrição pode ajudar no Lipedema
Embora o lipedema não esteja diretamente relacionado ao excesso de peso, a alimentação pode auxiliar na redução da inflamação e no manejo dos sintomas. Algumas estratégias nutricionais baseadas na ciência incluem:
1. Dieta Anti-inflamatória: Alimentos ricos em compostos anti-inflamatórios podem ajudar a reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida:
✅ Ômega-3: Presente em peixes gordurosos (salmão, sardinha), sementes de chia e linhaça, tem ação anti-inflamatória comprovada (Calder, 2017).
✅ Frutas vermelhas: Morango, amora e mirtilo contêm polifenóis que reduzem o estresse oxidativo.
✅ Chá verde: Rico em catequinas, pode ajudar a reduzir a inflamação (Nagao et al., 2005).
2. Redução de Alimentos Inflamatórios: Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares refinados e gorduras trans, podem agravar o quadro inflamatório do lipedema (Monteiro et al., 2019).
Reduza o consumo de:
Açúcar refinado;
Frituras;
Farinhas brancas;
Bebidas açucaradas.
3. Jejum Intermitente e Dieta Cetogênica no Lipedema: Estudos indicam que estratégias como jejum intermitente e dieta cetogênica podem ser benéficas para a redução da inflamação e melhora dos sintomas do lipedema (Paoli et al., 2019). Ambas podem melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação sistêmica, mas devem ser adaptadas individualmente.
4. Suporte ao Sistema Linfático: O sistema linfático pode ser comprometido no lipedema, e algumas estratégias podem ajudar:
✅ Hidratação adequada para manter a circulação eficiente.
✅ Atividade física de baixo impacto como caminhada e hidroginástica para estimular a drenagem linfática.
✅ Consumo de flavonoides, presentes em alimentos como cebola e chá verde, para melhorar a função vascular (Butt et al., 2013).
Conclusão
O lipedema é uma condição complexa que exige uma abordagem multidisciplinar. Embora não exista cura, a nutrição pode ser uma aliada importante na redução da inflamação, melhora dos sintomas e qualidade de vida das pessoas afetadas. Estratégias como dieta anti-inflamatória, redução de ultraprocessados e suporte ao sistema linfático podem ser incorporadas ao tratamento para melhores resultados.
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Referências
Butt MS, Sultan MT, et al. (2013). "Green tea and health: prevention of obesity and type 2 diabetes by epigallocatechin-3-gallate." Critical Reviews in Food Science and Nutrition. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23561000/
Calder PC. (2017). "Omega-3 polyunsaturated fatty acids and inflammatory processes: nutrition or pharmacology?" British Journal of Clinical Pharmacology. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28255642/
Földi E, Földi M. (2010). "Lipedema." Angiology. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20372684/
Herbst KL. (2012). "Rare adipose disorders (RADs) masquerading as obesity." Acta Pharmacologica Sinica. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22988956/
Monteiro CA, et al. (2019). "Ultra-processed foods: what they are and how to identify them." Public Health Nutrition. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31451248/
Nagao T, et al. (2005). "A green tea extract high in catechins reduces body fat and cardiovascular risks in humans." Obesity. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15708838/
Paoli A, et al. (2019). "Ketogenic diet and aging: Focus on oxidative stress and inflammation." Ageing Research Reviews. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30711498/



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